800 anos do Trânsito de São Francisco
COME IL SEME (Como a semente)
No espírito das celebrações dos 800 anos do Transitus de São Francisco, estive, junto com a Fraternidade São François d’Albi – OFS em peregrinação a Assis por ocasião da 1ª Exposição dos Restos Mortais de São Francisco de Assis. Nossa Peregrinação Aconteceu entre os dias 28 de fevereiro e 5 de maço de 2026.
Assim que chegamos, fomos ao Santuário de Fonte Colombo no Vale do Rieti, onde São Francisco redigiu a Regra definitiva dos Frades Menores em 1223.
No domingo dia 01 de março passamos a manhã no Eremitério de Carceri, um lugar cercado de florestas, muitas grutas, situado no monte Subasio. Lugar frequentemente utilizado por Francisco e seus companheiros para retiros e momentos de recolhimento. Carceri pode se traduzir como Cárcere ou prisão. Diz-se que nesse eremitério São Francisco se “encarcerava” para rezar.
Seguimos depois para a Capela de Saint Damiano, lugar onde Francisco recebe a revelação de sua missão através do Crucifixo de São Damião em 1205. Recebidos pelas Clarissas que lá habitam pudemos celebrar uma missa nesse lugar que emana um sentido espiritual bem diferente que alimenta a vida Franciscana. Antes de sair descobri que a irmã que nos acolheu é brasileira, uma grande e feliz surpresa.
Seguindo nossa programação fomos a Basílica Papal de Santa Maria dos Anjos (Porciúncula) lugar de extrema importância para a história e para a vida Franciscana. Nessa Basílica encontra-se a capela do Transitus, onde em 3 de outubro de 1226 nosso Seráfico Pai Francisco fez a sua passagem pra junto de Nosso Senhor. Nessa Basílica encontra-se algo profundamente extraordinário: O Jardim de Rosas sem espinho, onde São Francisco atirou seu corpo para castigá-lo como penitência pelos pecados, e que, por carinho de Deus, a Roseira perde seus espinhos para não machucar o já tão machucado corpo do Santo de Assis.
Na segunda dia 2 começamos o dia com a missa na Capela Santa Coleta, um monastério das Clarissas, depois seguimos para a Basílica de São Francisco onde depois de um tempo de preparação pudemos venerar os restos mortais de nosso Seráfico Pai. Durante a pregação que escutamos uma coisa chamou a atenção. O sentido dessa exposição, como nos disse o Frei Bernardo “não é exibir um corpo morto”, mas ver a “semente que atirada na terra morre para poder dar frutos”. São Francisco é essa semente atirada na terra e nos os frutos dessa semente. É essa realidade que somos chamados a contemplar. Uma mudança profunda na ótica dessa contemplação.
Na parte da tarde visitamos varias Igrejas em Assis: São Rufino, Basílica de Santa Clara, La Chiesa Noda (Casa de São Francisco) e, por fim o Santuário della Spogliazzone, onde São Franscisco devolve suas vestes ao pai e se entrega totalmente a Paternidade divina e onde também esta o corpo de São Carlo Acutis.
Na terça dia 3 iniciamos com a celebração da missa na Capela Santo Antônio, no Eremitério de Monteluco. Mais uma vez um lugar cercado de natureza no alto de uma montanha belíssima que evoca a espiritualidade. Comtemplando esses lugares onde o Santo andou podemos entender a sua compreensão de Deus olhando para a natureza. Em seguida partimos para Cascia a terra de Santa Rita onde visitamos Roccaporema o lugar onde Santa Rita nasceu e cresceu. Visitamos a Basílica de Santa Rita também. E em Cascia tive alegria de reencontrar um colega da Faculdade de Teologia, depois de 10 anos. Frei Bruno OSA, um grande amigo.
No último dia da peregrinação fomos a La Verna (Monte Alverne) montanha onde São Francisco recebeu os Estigmas. Celebramos a missa na Capela São Lourenço e depois subimos o “Corredor dos Estigmas” onde há várias pinturas mostrando episódios da vida de Francisco e da Ordem Franciscana e que dá acesso a Capela dos Estigmas. Ali, comtemplando exatamente o lugar onde São Francisco recebeu a confirmação definitiva de sua obra do próprio Senhor, experimentamos um momento de espiritualidade muito forte. A comoção foi enorme e todo o grupo realmente se sentiu tocado ali. Lágrimas vieram a tona e a oração foi quase que automática diante da experiencia que vivemos. Além de ser quase como uma despedida de todos os dias agradáveis, tocantes e profundos que vivemos ali.
Depois de todos esses dias, ainda onde estivemos hospedados em Foligno, partilhamos essa experiência profunda que vivemos durante esses dias. Com alegria e vontade de continuar a buscar esse Ideal Franciscano em nossa vida de Fé retornamos com o coração cheio para perseverar no caminho do Senhor a exemplo de São Francisco de Assis.
PACE E BENE!
Frei Juciney Medeiros TOR
CASCIA




FONTE COLOMBO




SAINT DAMIANO





