Vice-Província Nossa Senhora Aparecida

AQUELES QUE POR INSPIRAÇÃO DO SENHOR, VEM A NÓS, QUERENDO ACEITAR ESTA VIDA, SEJAM RECEBIDOS BENIGNAMENTE. (TEST. 1; RGTOR 4).

Chamado à vida evangélica em fraternidade e missão:

início do Noviciado Franciscano da TOR em Santa Maria, Benedito Novo-SC

Em uma manhã marcada por simbolismo e renovação espiritual, a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, Santa Maria, Benedito Novo-SC, acolheu, neste 1º de fevereiro de 2026, a Santa Missa que deu início ao noviciado dos frades Fr. Anderson Amaral Dutra e Fr. Lucas Vasconcelos do Vale. Presidida pelo Fr. Agostinho Odorizzi, Ministro Provincial da Vice-Província Nossa Senhora Aparecida da Terceira Ordem Regular de São Francisco (TOR), a celebração teve como cerne o tema “Fraternidade e Missão”, guiando os novos vocacionados no primeiro passo formal de sua vida religiosa.

O noviciado é um ano canônico fundamental na formação franciscana, um tempo de profundo discernimento e imersão no carisma. A celebração contou com a presença de confrades que formarão a comunidade formadora e de apoio dos noviços: Fr. Agostinho Odorizzi (ministro provincial e presidente da celebração), Fr. Manuel (mestre de noviços), Fr. Francisco Alberto (ministro local e pároco na paróquia que acolhe o evento), Fr. Faustino (acompanhante dos postulantes) e Dom Fr. Luís Capri, OFM (responsável pelo eremitério, representando a conexão com a vida contemplativa e a ampla Família Franciscana).

Em sua homilia, Fr. Agostinho partiu do fundamento máximo da vida consagrada franciscana: a observância do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este não é um ideal vago, mas a “Regra de Vida” concreta, como definiu São Francisco há 800 anos na Regra Bulada, cujo jubileu recentemente celebrado mantém plena atualidade. Destacou pontos centrais para a nova jornada. Citando o chamado de Jesus aos discípulos, reforçou a necessidade de deixar a casa e os bens essenciais, um ato de desapego que liberta para a missão.

Foi enfatizado que a vida fraterna não é um detalhe, mas “o primeiro lugar no qual o Evangelho deve ser vivido e anunciado”. A fraternidade é o “sacramento fecundo” a partir do qual os frades são enviados. A experiência missionária autêntica brota de uma relação viva com Jesus. É preciso “abrir o coração” aos seus ensinamentos para depois formar fraternidade “com todos os homens e mulheres do nosso tempo”.

A homilia teceu de forma inseparável os conceitos de fraternidade e missão, apresentando-os não como etapas sequenciais, mas como uma realidade única. Em um mundo que privilegia o “individualismo, o fechamento e o sucesso pessoal”, a vida fraterna em comunidade é, por si só, um ato profético e uma resposta ao sofrimento e à solidão contemporâneos.

A fraternidade vivida na simplicidade, no cuidado mútuo e na partilha torna-se a credencial mais poderosa para a missão. O frade é, antes de tudo, um “homem de relação fraterna”, chamado a ser sinal do Reino de Deus como “peregrino e forasteiro”. A decisão missionária, portanto, não é um projeto individual, mas um impulso que nasce da qualidade evangélica da vida compartilhada.

A homilia, também, não fugiu de tocar em tensões contemporâneas, denunciando desrespeitos que ferem a dignidade da vida fraterna e da pessoa. Ao mencionar situações de conflito e até referências às lutas por justiça racial, o ministro provincial lembrou que a missão franciscana passa necessariamente pelo engajamento com as dores do mundo e pela defesa dos mais pobres e marginalizados.

O momento culminante da celebração foi o envio dos noviços. Inspirado no exemplo de São Francisco — que, após seu encontro transformador com Cristo, tornou-se um instrumento de paz e amor — Fr. Agostinho chamou Fr. Anderson e Fr. Lucas a viverem “com paixão” o presente de sua vocação.

A missa concluiu-se com a bênção de São Francisco, proferida por todos os frades presentes sobre os novos irmãos e a assembleia, selando o compromisso de seguir a Jesus Cristo no espírito do Pobrezinho de Assis.

Este início de mais um noviciado não é apenas um passo na vida de dois jovens, mas um sopro de esperança e renovação para toda a Família Franciscana, convidando-a a retornar sempre à fonte pura do Evangelho que dá sentido à sua existência e missão no mundo de hoje.

Paz e bem!

Fr. Faustino, TOR

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