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Votos Franciscanos


“Senhor, faze de mim um instrumento de tua paz”.

O mundo inteiro sabe que foi São Francisco de Assis que assim rezou.Todas as denominações cristãs e tantas outras religiões também repetem a oração que se espalhou como semente ao vento e deu fruto em mil recantos deste planeta e se traduziu nas mil línguas dos homens.
O que, talvez, nem todos os homens saibam é a extensão dessas palavras e a intenção mais intimam de Francisco. É preciso aproximar-se dele e tentar respirar o ar das mesmas montanhas que ele respirava, ver a doçura das planícies que ele contemplava e acompanha-lo pelos bosques e buscar uma toca para estar na intimidade de Deus.
Mas não é preciso atravessar o oceano e caminhar pela Úmbria, é preciso interiorizar a singular experiência de Francisco e deixar-se, sem rodeios e subterfúgios, guiar-se pelo evangelho.
Isso significa professar na vida franciscana.

“Senhor, fazer de mim um instrumento de tua paz”.

E cada voto é uma expressão da disponibilidade total, da entrega apaixonada ao senhorio de Deus. Ele é o senhor e eu sou apenas o seu servo.E ser obediente, casto e pobre é como escancararas portas para que a liberdade reine, para que Deus seja o meu tudo, o meu sumo e único bem.
Para Francisco e Clara, não há outra lei a não ser seguir e observar o evangelho e é o Evangelho que ensina a caminhar com Cristo Jesus, casto e obediente.

“Senhor, faze de mim um instrumento puro”.
A castidade me é necessária para seguir ao Cordeiro sem manchas, me faz abandonar o homem velho e ser um homem novo, me faz exercitar a transparência interior e me torna inteiramente livre para Deus, deixando meu coração forte e leve, despojado.
Diziam que São Francisco imitou a pureza dos anjos, vivendo no meio dos homens e que se tornou exemplo de perfeição para os seguidores de Cristo.
Na Legenda Maior, encontramos: “Tinha alcançado uma tal pureza que seu corpo se encontrava em maravilhosa harmonia com o espírito e o espírito em maravilhosa harmonia com Deus”.

“Senhor, faze de mim um instrumento puro e casto de tua paz”.

“Senhor, faze de mim um instrumento obediente”.
A obediência me é necessária para seguir ao servo obediente até a morte e morte de cruz: me faz abandonar a pretensão de ser o patrão, o chefe; me faz exercitar a disponibilidade interior e me torna inteiramente livre para Deus, deixando meu coração simples e leve servidor.
“A obediência para Francisco nada mais é que a inevitável e necessária atitude da criatura quando se descobre como dom e objeto de predileção nas mãos de Deus criador; elevada e dignificada porque feita à imagem e semelhança do Filho de Deus”.

“Senhor, faze de mim um instrumento obediente de tua paz”.

“Senhor, faze de mim um instrumento pobre”.
A pobreza me é necessária para seguir Cristo que se fez pobre por nós; me faz abandonar as seguranças terrenas e o prestigio que disso decorre; me faz exercitar a humildade interior e me torna inteiramente livre para Deus, deixando meu coração rico e leve, dependente do Senhor.
Dizia Francisco: “Essa é aquela sumidade da mais elevada pobreza que a vós, meus caríssimos irmãos, instituiu herdeiros e príncipes do Reino dos céus e, fazendo-vos pobres de bens, vos cumulou de virtudes. (...) apegando-vos inteiramente a ela, não queirais, por amor ao nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, possuir jamais outra coisa debaixo do céu”.

“Senhor, faze de mim um instrumento pobre de tua paz”.

Isto é professar na vida franciscana: deixar que Deus faça de nós o que quiser. Nós tentamos tirar tudo aquilo que rouba o espaço que Ele quer ocupar em nossa vida anos e em nós faz sua morada. Nós lhe entregamos a vida e ele a torna oferta agradável diante do Pai.
Na Regra não bulada, Francisco exorta:
“Na santa caridade que é Deus, rogo a todo o irmão que removam todos os obstáculos e rejeitem todos os cuidados e solicitudes, para, com o melhor de suas forças, servir, amar, adorar e honrar, de coração reto e mente pura, o Senhor nosso Deus, pois é isso que Ele deseja sem medida” (RNB 22,23).
E que na medida incomensurável do amor, que os votos que hoje são pronunciados sejam sinal de uma grande fidelidade, que não olha para trás, mas que toma o arado e vai em frente, sulcando na terra caminhos novos de esperança.

 

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