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50 ANOS DE CAMINHADA TOR

 

A presença e a figura das pessoas que amamos serão eternas em nossa memória, porque nos conquistaram pelo amor, pelo testemunho, pela simplicidade, pela coragem e pelo estimulo de vida. Sem precisar querer aparecer. Uma das pessoas dessa caminhada histórica da TOR foi o saudoso Bispo D. Adriano Veigle.

Adriano Jaime Míriam Veigle, TOR, nasceu em Lilly, Estado Nortemericano da Pennsylvânia, no dia 15/09/1912 Ingressou na TOR em 19/06/1929 e foi ordenado sacerdote em 22/05/1937, em Altoona, na Catedral do Santíssimo Sacramento. De uma família de 12 irmãos, entre os quais, um Religioso/Sacerdote (TOR) e uma Religiosa. Estudou na Escola Paroquial Santa Erigida em Lilly e na Escola de 2° grau S, Francisco em Loreto, ambos no Estado da Pennsilvanya. Em 19/06/1929 entrou no noviciado da Província do Sagrado Coração de Jesus da TOR, fez sua 1a profissão em 21/06/1930 e a sua profissão solene em 16/09/1933. Recebeu o título de Doutor "honoris causa" três vezes, da Universidade de Scranton, Pennsilvaya. Bacharelou-se em ciência em 1934. Recebeu o mestrado em ciência em 1942 e doutorou-se em química em 1944. Serviu a Comunidade Universitária de 1937 a 1941 de 1945 a 1946 foi presidente da Universidade de S. Francisco dos anos 1946 a 1953. Exerceu a função de Ministro Provincial nos anos 1953 a 1962. Dizia que tinha um perfil próprio e pessoal, que carregava consigo o que muitos o consideravam como excesso.

Em março de 1964, D. João de Souza Lima, arcebispos de Manaus, viajou a Borba para a instalação oficial da Prelazia, criada pela Bula "Ad Christi", do dia 13 de julho de 1963, pelo Papa Paulo VI. D. João assumiu a responsabilidade  da  Prelazia  como  Administrador Apostólico. Pela Bula "Sumo Gáudio" de 18 de junho de 1964, Frei Adriano Jaime Míriam Veigle, ex-ministro Provincial da Província do Sagrado Coração de Jesus, foi nomeado Prelado Nulius da Prelazia de Borba. Monsenhor Adriano tomou posse da sua Prelazia no dia 07 de setembro de 1964, na presença de Cônego Bento, representando D, João de Souza Lima, Arcebispo de Manaus. O pregador foi Frei Roberto Gomes Arruda (mais tarde Bispo de Guajará Mirim). Frei José Afonso Ribeiro (depois bispo da Prelazia de Borba), foi convidado especial, uma vez que passava pelo Brasil, pois estudava sociologia e pastoral catequética em Paris. Participou da celebração como convidado e representando o Comissariado N. Sra. Aparecida de Mogi - Mirim. Presenciaram ainda este fato: Frei Marcelo, Frei Roberto, Frei Carlos, Frei Victor, Frei José Glancv, tendo, ainda a companhia do Provincial dos Padres Redentoristas e de Scarboro, a vice-provincial das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, Pé. Jorge Normando, Reitor do Seminário São José em Manaus. As palavras de Monsenhor Adriano Veigle foi em Latim e fez parte do encerramento da cerimônia. Diz-se ainda que após a celebração viajou até Nova Olinda do Norte, depois Manaus e finalmente para Roma onde iria participar do Concilio Vaticano II.

Durante a Sessão de 1966, todos os Prelados foram nomeados Bispos e D. Adriano foi consagrado em Altoona. Pouco tempo depois voltou a Borba", (cf Missão Franciscana na Fronteira pag. 247ss).

A presença de D, Adriano foi marcada por muitos fatos e desconhecido de muitos de nós que com ele convivemos. Ela a tradução da simplicidade de um homem. A sua vinda para o Amazonas foi um entrega total de vida, onde correu muitos riscos. Sempre morou sozinho quando ficava em Borba, e não foi diferente em Novo Aripuanâ e mais tarde em Autazes. Os títulos por ele recebido não o fizeram um bispo de vanguarda. Com muito esforço aprendeu a língua portuguesa e essa aprendizagem se deu junto ao povo, sobretudo das crianças, que o ensinavam, faziam repetir. O aprendizado se dei também nos passeios das, mas de Borba e Novo Aripuanâ. Foi o primeiro bispo da Prelazia de Borba, e como tal não tinha uma linha de ação. O que muito o incomodava era a ausência do sacerdote na Paróquia, por isso se desdobrou por acompanhar os paroquianos na ausência dos Párocos.

Quando os Franciscanos chegaram para trabalhar no Amazonas, o projeto era o mesmo: integrar, fortalecer, reunir, fazer. Esse investimento foi proporcionado de duas maneiras: a formação integral das pessoas (faziam-se cursos de formação humana: carpintaria, eletricidade, fotografia, costureira, doceira, etc.), era o feitio do administrador, nas serrarias, nas olarias, nas hortaliças. De outro lado estava presente o trabalho de evangelizador. Esse trabalho era levado adiante por alguns frades. Não havia como não houve nenhuma interferência do bispo para com esse trabalho.

Nas Paróquias o propósito era estar presente. D. Adriano passou por grandes dificuldades com a falta de Padres, e se desdobrava na Missão. Ficou em Borba praticamente sozinho devido a saída dos Frades. Com a não chegada do Pároco a Novo Aripuímâ ele se posicionou da mesma maneira durante mu ano. Repetiu a      em Autazes. Não era individualismo de sua parte, mas com a saída e a volta para os Estados Unidos dos Frades inviabilizou muito dessa presença. Para D.  Adriano o horário era imprescindível, e não se atrasava de jeito nenhum e se isso acontecesse da parte dos outros ele esperava "só um minuto". Um dos textos mais comentados vem do Evangelista Jo. 15,5b. Se não tinha uma linha pastoral determinada, o apoio era incondicional para as iniciativas dos padres e depois para as irmãs de São José de Baden que vieram trabalhar na Prelazia. E assim nasceu a Pastoral da Terra, Pastoral da Juventude, da Catequese, entre outras. O momento no País era de insegurança, mas diante do apelo de quem executava a tarefa estava pronto para apoiá-lo. Num incidente em Novo Aripuanã com a leva de migrantes em busca de terra seu apoio foi fundamental para que os padres naquela cidade pudessem assumir o papel profético e de teimosia junto aos "colonos". Não tinha a prática de falar do mal dos padres e muito menos dos bispos, era muito respeitoso e nas assembléias prelatícias queria que fôssemos sucintos, diretos.

Caminhou longas horas pelas estradas de Autazes indo e vindo para acompanhar nas celebrações dominicais. Mesmo depois que ficou emérito quis assumir a missionariedade no Distrito de Urucurituba. Morava em Manaus e viajava nos barcos de recreio lotado e desembarcava com dificuldade nos barrancos da localidade, mas não abandonava o seu propósito. Por fim, recordamos que ele serviu ativamente a Igreja de Borba de 06//06/1966 a 24/09/1988. D. Adriano mostrou seu desejo de ser enterrado em Borba onde serviu o povo durante tantos anos. No dia 03/04/2001 veio a falecer e seu corpo se encontra na Basílica de Santo António, em Borba! um homem da simplicidade, e da doação e apesar de todos os títulos e honras, morreu pobre, como um autentico franciscano.

Colaborou Frei Geraldo King, Frei Paulo Paviik e Frei Bosco, TOR.