Os Franciscanos em Poconé e CáceresHome
As Novas Fundações
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Em novembro de 1905, os religiosos que foram estabelecer-se em Poconé receberam um acolhimento favorável.Cidadezinha de uns 1500 habitantes e situada a uns cem quilômetros de Cuiabá, Poconé tem uma população mais simples, mais aberta e mais cativante do que a da capital.Os catecismo foram imediatamente iniciados para a freqüentação das crianças. Passado por Poconé, o Frei Luiz Maria Galibert escrevia: “Chegamos a Poconé no dia da Assunção (1906), tarde de mais, infelizmente, para assistir à cerimônia da Primeira Comunhão celebrada nesta manhã mesma.Um cavalo que ficou cansado na estrada nos tirou esta consolação.Vimos entretanto os dez felizes Comungastes.São as primeiras flores que oferecemos a Deus nesta pobre paróquia, por tanto tempo abandonada .Esperamos poder oferecer-lhe outras sem demora..As crianças são encantadoras.Assistem com prazer ao catecismo e o sabem de modo bem conveniente.Alguns deles realmente me surpreendem pela precisão de suas respostas”. Três Frades estavam instalados em Poconé.Havia espaço para eles, pois tinha aldeias ou sítios num círculo de até 200 quilômetros.Entretanto, Monsenhor d’Amour tinha julgado oportuno acrescentar-lhes a paróquia de Livramento que era muito grande também. O Frei Louis Marie Galibert passava pois por Poconé para instalar em São Luiz de Cáceres dois Frades que deviam lançar os fundamentos de uma outra missão que teria jurisdição sobre Vila Bela de Mato Grosso.

Assim, os frades tomavam posse dos pontos que a Providência lhes tinha preparado, atravessando Mato Grosso do leste para oeste.A partir destes três pontos, Cáceres, Poconé e Cuiabá, se recebessem mais reforços da França, poderiam subir para o norte e encontrar os índios.O zelo e talvez a imaginação dos Frades os empurravam para esses povos desconhecidos e abandonados da sorte.Uma fundação no meio dos índios seria o seu maior contentamento. Após as primeiras hesitações sobre a importância do seminário de Cuiabá, a chegada do segundo grupo de Frades permitiu uma nova organização.Cuiabá e seu seminário sempre estéril, não podiam oferecer uma ocupação suficiente para a atividade de todos os jovens Frades.Missionário já tinham tomado contato com as populações mato-grossenses, em Cuiabá ou no decorrer das suas primeiras viagens até paróquias distantes.Gostavam do povo que também gostava deles.Assim, pouco a pouco, os Frades, seguindo por caminhos ainda desconhecidos e guiados pela Divina Providência, estavam encontrando os seus postos de trabalho. Na mesma época, precisamente o dia 29 de Agosto de 1906, como já foi registrado, quatro novos Frades e quatros jovens prontos para o noviciado, embarcavam em Bordeaux sobre o “Amazone” para alcançar Cuiabá.Com eles, quatro Irmãs Azuis viajaram para fundar um colégio em Cáceres. Os Frades já instalados nas suas paróquias jubilavam, cheios de esperança, pois novos colegas chegariam.Entretanto, como já foi visto, a situação política e religiosa da França retardaria outros envios.Durante longos anos, a Missão deveria continuar com os mesmo elementos.

Em Poconé

Poconé, cidade fundada pelo Capitão-Geral Luiz de Albuquerque Pereira Mello e Cáceres em 1781, teve como riqueza inicial o ouro e a seguir, a criação de gado.A uma longa lista de padres, servidores de deus e do Povo, o Cônego Manoel Francisco de Araújo tinha sucedido, chegando em Poconé no ano de 1870 e ficando até sua morte, em 1903.Havia tomado mulher e uma grade descendência vivia na casa paroquial e continuou vivendo nela após a morte dele..Durante anos, suas filhas devolveram livros paroquiais esquecidos na antiga casa paroquial que ocupavam.

Uma Morada

Os Frades residiram durante um tempo numa casa provisória, mas, um dia, o padre Atanásio encontrou e comprou uma ocasião maravilhosa.Como não havia tempo para referir ao superior em Cuiabá sobre a compra que ele haveria de aprovar se soubesse, o Frei Atanásio adquiriu um terreno com uma frente de 25 metros dando sobre uma rua da praça principal e uns 15 metros da igreja matriz.o terreno tinha uma légua de comprimento alargando-se pouco a pouco até chegar ao ‘Tanque do Padre’ cheio de água clara e doce. Esse terreno daria para todas as atividades dos Frades e mesmo para uma criação de gado, se o julgassem oportuna ou necessária. Infelizmente, a Prefeitura, nos tempos modernos, o dividiria para formar lotes urbanos e mais tarde ainda, garimpeiros estragariam o ‘Tanque do Padre’ com o lodo da mineração. Nos primeiros tempos, os Frades viviam em pequenos barracões cobertos de palha.Era uma vida simples mas cômoda nos trópicos: o telhado de palha é impermeável às chuvas e mantêm uma temperatura agradável. Mais tarde, a comunidade se instalaria melhor e o Frei Francisco Maria construiria um grade convento.Os Frades contavam que tinham somente esquecido a escadaria que foi colocada às pressas numa sala de baixo para poder alcançar o andar superior.

A Igreja e o Ouro

A paróquia tinha sido erigida pelo primeiro Capitão-Geral de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque, pouco tempo após a fundação da cidade. A igreja de Poconé era uma capela antiga, pequena e sempre merecendo concertos. Ela tinha como padroeira Nossa senhora do Rosário, representada por uma bonita, pequena e antiga imagem. Contavam e contam ainda que os “filões” mais ricos de ouro estão no centro da igreja. Os primeiros tempos em Poconé foram de árduas conquistas: o pároco precedente, casado, mas mantendo-se na casa paroquial e no ministério, não podia ter trabalhado muito para o crescimento do seu rebanho. O espírito missionário dos jovens Frades teve que desenvolver seus trabalhos com generosidade e continuidade.

 

  (do livro “Missão Franciscana na Fronteira”, de Dom Máximo Biennès, TOR, bispo emérito de Cáceres – MT)