VOLTAR São Luiz de Cáceres Home

A cidade São Luiz de Cáceres era uma cidade bastante antiga.Fundada em 1778, pelo Capitão-Geral, Luiz de Albuquerque Pereira Mello e Cáceres, na beira do rio Paraguai, ela servia de ponto de apoio no caminho que levava de Cuiabá até Vila Velha. Sua fortuna tinha sido os campos favoráveis à criação de gado, aos quais se acrescentariam durante período mais modernos, as extrações da borracha e da ipecacuanha ou raiz da ipeca. A paróquia era quase abandonada.A partir do ano 1864, o Padre Casimiro Ponce Martin a administrara.Era um homem bom, que deixou uma veneranda memória e cujo nome está relembrado numa rua da cidade.Mas temperamento doentio e sem voz, sua ação se exercia somente com aqueles que o visitavam na sua casa.Faleceu em 1903. Cáceres era a segunda paróquia praticamente abandonada que os Franciscanos recebiam.A longínqua paróquia de Vila Bela acrescentava-se aos trabalhos de Cáceres.Teriam muito serviço para melhorar essas duas regiões com situação moral e espiritual periclitante!!!

Uma casa para morar

Pouco tempo após sua chegada, os Franciscanos compraram uma chácara bem na proximidade da cidade.Como estavam com pouco dinheiro e com o vendedor tinha umas contas a pagar em Paris,os colegas religiosos franceses pagaram a dívida.O lote ocupava mais de um hectare e tinha, no seu centro, uma casinha que foi transformada logo num pequeno convento construído com tijolos secados ao sol.A terra tirada do solo formou uma lagoa onde os cavalos iam beber. O convento tem só quarto pequenos quartos;ele está muito humilde, bem pobre, bem franciscano.Tem um cozinha, mas não se pode falar de construção, pois está feita com quatro paus e umas folhas de palmeira como telhado. Não tem janela de vidros,mas com madeira maciça.O vidro é de luxo!Tem somente na capela e colamos papeis nos vidros, imitando vitrais: é de uma grade beleza.Nossos alunos cruzavam as mãos e seus olhos se arredondavam demasiadamente diante de tal espetáculo no dia da inauguração.Até os padres estavam felizes do seu trabalho. O altar é simples, em madeira envernizada.A capela tinha sido construída num canto do terreno dos Frades e perto da rua para poder ser aberta ao público.

Uma igreja para rezar

A igreja matriz de Cáceres cujo orago era São Luiz de França, estava no centro da cidade, nos fundos de uma grande praça aberta sobre o rio Paraguai.Estava utilizada aos Domingos e dia de Festas.Construída com adobos, a paredes se abriam, todas as rachadas.Comprida e estreita como todas as igrejas que imitavam o estilo colonial, ela existia desde quando Cáceres era ainda uma pequena aldeia e tinha sofrido aumentos sucessivos insuficientes que a desfigurava. Já em 1886, na ocasião de uma visita pastoral de Monsenhor d’Amour, a primeira pedra de uma nova igreja tinha sido colocada e benta na praça da jacobina..Mas o local escolhido não agradava à maioria da população e o primeiro ardor se arrefecendo, os muros pararam numa altura de sete metros.Construídos com pedra canga, eles teriam resistido às intempéries do tempo, mas as formigas amoleceram o terreno dos alicerces e provocaram rachaduras que deixaram o edifício sem segurança.Quando em 1918, os frades quiseram retomar o projeto, era tarde de mais.Diante da fraqueza da construção, foi preciso pensar numa outra igreja...

O trabalho pastoral

Havia em Cáceres todos os trabalhos d’uma paróquia.Os fieis solicitavam, além das missas, os sacramentos do batismo e da confirmação, às vezes, um matrimônio.As missas estavam sendo rezadas muito cedo, sem dúvida por causa do clima tropical.A missa da paróquia começava antes do raiar do dia e raramente o sol estava levantado quando terminava.Se os frades aceitassem os desejos dos fieis, seriam celebradas missas ainda mais cedo, pelas duas ou três horas da madrugada.Mas de uma vez pessoas ficavam descontentes quando os frades não aceitavam tais solicitações. A primeira comunhão era um exercício que precisava de compreensão e de paciência.As crianças da cidade poderiam ir todos os dias ao catecismo.O sino os chamava.Mas porque ir ao catecismo, se os maiores nunca foram?Antes da chegada dos Padres não houve nenhum catecismo!!! Os pais não se preocupavam muito e mesmo impediam as crianças que ficavam brincando na rua. Isso continuou, com maiores ou menores sucessos, até os tempos modernos, quando as crianças se acostumaram a freqüentar as escolas.Foi então um pouco mais fácil reuni-las, uma vez por semana durante dois ou três anos.Nas escolas católicas, a catequese foi relativamente mais fácil. Na constituição cristã da família foi também uma outra grande dificuldade.Antes da chegada dos franciscanos, a celebração do matrimônio cristão era difícil, pois faltavam padres para ensinar e distribuir este e outros sacramentos.Para que aparecessem nos sítios famílias verdadeiras, os frades apresentavam instruções simples mas sólidas que faziam impressão sobre as pessoas e convertiam muitos casais.Mas era mais necessário ainda para levar as pessoas até o casamento, sobretudo quando já viviam juntas.

Um colégio masculino

Os Franciscanos pensaram abrir um colégio para a juventude masculina da cidade assim como as Irmãs Azuis já tinham aberto um imediatamente após sua chegada.Um bom grupo de alunas estavam lhes dando satisfação desde os primeiros meses. O sucesso das Irmãs animou os padres.Pensaram também nas futuras vocações que poderiam aparecer.E se elas não viessem, transmitiriam ao menos, juntamente com o ensino de matérias educacionais,uma forte e profunda formação cristã que prepararia homens de fé e de coragem para as práticas da vida. Os frades escreveram no caderno que registrava as reuniões dos responsáveis pelo convento que, tendo sobrado um dinheirinho, os religiosos pensaram em não quadrá-lo para eles, mas sim melhorando as instalações higiênicas dos internos.Sempre houve, desde o inicio da missão, esta preocupação em trabalhar para a educação e para as vocações.O resultados demorariam.Mas Franciscanos brasileiros, sucessores deles, chegariam ao sacerdócio e três ficariam bispos.

 

  (do livro “Missão Franciscana na Fronteira”, de Dom Máximo Biennès, TOR, bispo emérito de Cáceres – MT)